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Thiago é jornalista, locutor e produtor à frente de empresas como o Studio Mu e dos Canais AudioProdutor e GospelBeats

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‘Stop’ (ou ‘Adedonha’) une jogadores com nostalgia durante quarentena e apps crescem 1000%

Versões brasileiras para celulares e computadores do jogo clássico ganham adeptos em época do novo coronavírus e entram para listas de mais baixados.

Veja trailer de ‘Stop’

Em época de isolamento por causa da pandemia do novo coronavírus, jogos online têm promovido um sentimento de proximidade entre pessoas obrigadas a ficarem distantes. Por causa disso, versões digitais do clássico de escola “Stop” (ou “Adedonha”, “Adedanha” e outras de suas variantes regionais) têm apresentado um alto crescimento de popularidade no Brasil.

O game de celulares “Stop”, exclusivo para aparelhos Android e iPhones, chegou ser o 3º gratuito mais baixado na loja da Apple e o 16º entre os do Google. De acordo com sua desenvolvedora, a brasileira Fanatee, o app apresentou um crescimento de 1000% durante o pico — foi, em uma semana, de uma média de 10 mil downloads por dia a 100 mil.

Logo atrás está o também brasileiro “Stopots”, que compartilhou a 3ª colocação entre os iPhones, mas não repetiu o sucesso do colega entre Androids e atingiu no máximo a 36ª colocação.

Mesmo assim, com uma versão disponível para navegadores de computadores, apresentou crescimento semelhante. Segundo o estúdio Onrizon, do também popular “Gartic”, o game tinha um recorde de 1.800 jogadores antes do isolamento. Na última semana, chegou a mais de 20 mil.

“Nesse momento tão conturbado que a gente está vivendo, jogos como ‘Stop’ fazem a gente ter um pouco de distração, além de relembrar os tempos de criança. Traz uma nostalgia gostosa em meio a tanto caos”, conta Paloma Oliveira, de 20 anos.

Desde o isolamento, ela e os amigos têm jogado toda sexta-feira ou sábado, conversando ao mesmo tempo através de chamada de vídeo.

“Fora que tem sido um meio super legal de reunir pessoas dos nossos mais diferentes círculos sociais. Por exemplo, consigo juntar o pessoal do serviço, do projeto social que faço parte, o Kali, da faculdade, família, todo mundo jogando junto, se divertindo e se conhecendo.”

Um jogo de palavras

No jogo, com diversos nomes em todo o país, em uma explicação bem simplificada, os participantes escolhem diferentes categorias, como cidade ou nome.

Depois, devem preencher cada um dos campos com uma palavra começada por uma letra sorteada no começo da rodada.

Quando o primeiro terminar, todos param (daí o nome mais conhecido, “Stop”, que significa “Pare”, em inglês), e os pontos são distribuídos de acordo com palavra escolhida e sua raridade.

Com um jogo tão popular nas escolas, afinal, existe apenas papel e caneta, é difícil de acreditar que seja tão difícil estabelecer sua origem. Tanto que as próprias empresas responsáveis pelos apps tentaram, mas não sabem ao certo a história.

“A gente estudou bastante. Sabe que você não encontra como surgiu? É um jogo que existe em vários países do mundo, mas a gente não conseguiu detectar de onde saiu”, conta Rogério Silberberg, presidente executivo da Fanatee.

“Provavelmente é uma coisa muito antiga, porque existe em todos os países europeus latinos, e também alguns outros, como a Alemanha. Na Espanha por exemplo, tem uns sete, oito nomes.”

Em 'Stop', é preciso dar palavras válidas começadas pela mesma letra para diferentes categorias — Foto: Reprodução
Em ‘Stop’, é preciso dar palavras válidas começadas pela mesma letra para diferentes categorias — Foto: Reprodução

Adedanha pelo país

No Brasil não é tão diferente. De acordo com Henrique Moreira, fundador da Onrizon, “Stop” é mais popular em SP. Em MG e RJ, é “Adedanha” (“o grito que se faz na hora que os jogadores vão colocar os dedos para escolher a letra”). Em grande parte do nordeste, o nome sofre uma mutação para “Adedonha”.

“E em outros lugares específicos leva outros nomes. ‘Salada de frutas’ na Bahia. Tem regiões que chamam de ‘Nome, lugar, objeto'”, conta o executivo.

Como uma maranhense que passou grande parte da vida no Pará e que agora mora no DF, Gabriella Suzuki, de 19 anos, mostra melhor as muitas identidades do jogo.

“Em Belém é ‘adedonha no papel’. Aqui no DF é ‘stop’ mesmo. E no Maranhão eu já ouvi dos dois jeitos”, diz ela.

“Eu jogo desde que aprendi a escrever porque a minha família gosta muito. Então é simplesmente algo que faz parte da minha alma, sei lá.”

Essa experiência familiar influencia também na hora de enfrentar os conhecidos, mesmo com ligação de vídeo ou de áudio. “Jogo com os amigos com ajuda da minha família, porque sou safada”, brinca. “E porque a minha mãe é muito boa.”

'Stopots' também valida as respostas do jogadores — Foto: Reprodução
‘Stopots’ também valida as respostas do jogadores — Foto: Reprodução

Analógico para digitais

A brincadeira também ajuda a conectar quem não tinha a tradição na escola e prefere os clássicos eletrônicos. “Eu só jogava videogame na infância. Por isso que jogar ‘stop’ online está mais aceitável pra mim”, conta João Ricardo Cararo Lazaro, de 27 anos.

“Não é todo amigo ou amiga que joga os MMO (multiplayer massivos online, como “World of Warcraft”). Aí a gente consegue abranger mais amigos pra se reunir, jogando um jogo mais simples assim.”

O gosto foi tanto que Lazaro quase se conectou até com um vizinho do prédio da frente quando estava na sacada do apartamento.

“Tinha um carinha com laptop no sofá e ouvi ele falando que a letra da vez era F. Ele falou: ‘fruta com F. Socorro’. Gritei: ‘figo’. Ele não gostou de perceber que eu estava ouvindo eles, ficou um silêncio depois.”

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