Thiago mU

Thiago mU

Thiago é jornalista, locutor e produtor à frente de empresas como o Studio Mu e dos Canais AudioProdutor e GospelBeats

Share on facebook
Facebook
Share on email
Email
Share on twitter
Twitter
Share on pinterest
Pinterest
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on telegram
Telegram

Explosão de casos de coronavírus no RJ bota o sistema de saúde em xeque

Nesta quarta (22), a cidade do Rio tinha apenas 15 leitos exclusivos para pacientes adultos com Covid-19. Isso somando toda a rede pública: municipal, estadual e federal.

Pacientes sofrem na fila por leitos em unidades de saúde no RJ: ‘Você atende 1 e chegam 3’

No Rio de Janeiro, a explosão de casos do novo coronavírus bota em xeque o sistema de saúde.

Na emergência de um hospital público da Zona Oeste do Rio, a falta de respiradores já provoca a situação que nenhum médico gostaria de enfrentar, decidir quem vai sobreviver: “Acabou de chegar aqui mais um paciente suspeito de Covid, síndrome gripal, saturando 57% em ambiente, e só tem um respirador e mais 30 pacientes que podem precisar dele. Caso a gente tenha que escolher entre quem vai ficar com respirador, a gente acaba levando em conta o quadro do paciente geral. Esse tipo de escolha mexe muito com a cabeça da equipe, mexe muito com a cabeça do plantão. É uma coisa muito dramática, todo mundo fica muito abalado, mas é o que a gente está vivendo aqui no Rio de Janeiro, todo plantão é assim agora”.

O relato é do médico Pedro Archer. Ele preferiu não dizer o nome do hospital onde trabalha, mas conta que duas pessoas já morreram no plantão dele porque não tinham respiradores. “Estão faltando respiradores na rede pública. Tivemos uma situação muito triste em que perdemos dois pacientes por conta desse equipamento”, relatou.

Médicos no limite. O sistema todo de saúde no limite. Na tarde desta quarta (22), a cidade do Rio tinha apenas 15 leitos exclusivos para pacientes adultos com Covid-19. Isso somando toda a rede pública: municipal, estadual e federal. E, na lista de espera por internação, 32 pessoas com suspeita da doença, já em estado grave.

Nesta terça (21), o Rio de Janeiro teve registro recorde de casos em um único dia. Foram 407. É o equivalente a um caso novo a cada três minutos e meio. Os últimos números mostram que o estado tem 5.552 casos confirmados e 490 mortes. Esse aumento fez o Rio de Janeiro voltar à situação de emergência.

O estado espera sair do sufoco com o início da operação dos hospitais de campanha. O do Riocentro ficou pronto no domingo (19), mas ainda faltam médicos, equipamentos e respiradores.

A Prefeitura do Rio conseguiu na Justiça uma liminar para receber 80 respiradores que ela encomendou de uma empresa em 2019. A UFRJ, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que vai ter 60 novos leitos prontos, com respiradores, na segunda-feira (27), mas que não consegue contratar médicos.

A falta de profissionais fica ainda mais grave porque muitos que estão trabalhando adoeceram e foram afastados. Desde o começo da pandemia, são mais de 1.800.

Nesta terça, um técnico de enfermagem morreu com sintomas da doença. Jorge Luiz de Lima tinha 49 anos, era diabético e hipertenso. A família disse que ele sabia dos riscos, mas ficou no trabalho por amor à profissão. Na manhã desta quarta, amigos fizeram uma homenagem: um abraço simbólico no hospital Miguel Couto, onde Jorge trabalhava. “Os números estão virando nomes. Nomes de pessoas próximas”, afirma o técnico em enfermagem Laercio Cardoso.

Uma médica de outro hospital público do Rio, que não quer se identificar, diz o que é enfrentar essa doença todos os dias: “Está caótico. A sensação é de enxugar gelo. Você atende um e chegam três. Você atende três, chegam mais 20. Não tem saída de oxigênio para ventilar todo mundo ao mesmo tempo. Fica fazendo rodízio. Agora você está bem, senta um pouquinho, deixa o outro entrar. Agora o outro está bem, troca de novo. Assim, coisas que eu nunca tinha visto na minha vida.”

A Justiça Federal deu um prazo de 48 horas pra que seis hospitais federais do Rio de Janeiro passem a liberar os leitos livres pra pacientes de outras unidades públicas. Nesta quarta (22), 237 pacientes na cidade do Rio aguardavam transferência. A multa pro diretor do hospital federal que não cumprir a medida é de R$ 1 mil por dia.

Open chat
1
Olá!
Posso te ajudar?