Thiago mU

Thiago mU

Thiago é jornalista, locutor e produtor à frente de empresas como o Studio Mu e dos Canais AudioProdutor e GospelBeats

Share on facebook
Facebook
Share on email
Email
Share on twitter
Twitter
Share on pinterest
Pinterest
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on telegram
Telegram

Estudo prevê que PIB do Rio de Janeiro cairá 4,6% em 2020

Estudo divulgado hoje (13) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) estima que a pandemia do novo coronavírus levará o estado a ter uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano de 4,6% – a maior da série histórica registrada pela entidade desde 2002. 

“A gente está passando por uma epidemia na esfera da saúde que está transbordando para o lado econômico, por conta do lockdown – as medidas de isolamento social que vêm sendo tomadas no mundo inteiro. Isso tem um impacto econômico”, disse à Agência Brasil o gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Jonathas Goulart. “E a gente percebeu que, em termos de atividade econômica, haverá uma queda de 4,6% no PIB do estado”, afirmou.

O economista destacou que isso ocorrerá exatamente em um período em que o estado dava sinais consistentes de recuperação da crise de 2018. Segundo Goulart, não há perspectiva de recuperação econômica para 2020. “A melhor saída para tentar resolver esse problema é através do governo federal”, afirmou.

Orçamento

A pandemia terá um efeito significativo para as contas do estado. De acordo com o estudo da Firjan, o efeito do coronavírus sobre a arrecadação do governo fluminense será uma perda de 21%, ou R$ 11 bilhões, apenas na captação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Jonathas Goulart destacou que outro desdobramento importante para o estado do Rio de Janeiro é a redução do preço do petróleo no mercado internacional e até da produção da Petrobras, que vai influenciar também negativamente a receita de royalties – taxa paga pela exploração e venda de um insumo – do petróleo. “Só com essas duas variáveis [ICMS e petróleo] a gente vai ter mais ou menos uma queda de arrecadação de mais de R$ 14 bilhões”, informou. A perda nas receitas de royalties pode alcançar R$ 3,2 bilhões.

Socorro

O gerente de Estudos Econômicos da Firjan analisou que o efeito imediato no orçamento dos estados devido aos gastos com pessoal, e por não conseguirem se adaptar ao problema pelo qual estão passando, é uma redução expressiva das receitas. “E os estados não têm a capacidade de se endividar. Estão proibidos de se endividar”, observou o economista. O estudo aponta um déficit no orçamento do estado do Rio de Janeiro de até R$ 27,4 bilhões – mais de um terço da receita total estimada para 2020.

De acordo com a federação, o governo federal tem o dever de socorrer os governos estaduais com recursos para que eles possam enfrentar a pandemia e pagar os servidores, da mesma forma que as empresas para pagamento da folha salarial. “No momento em que os governos estaduais não conseguem honrar seus compromissos com o pagamento de servidores, imagina o que a gente vai ter de problema com saúde, segurança, em um período em que a gente não pode ter.”

Jonathas Goulart avaliou que a ajuda do governo federal está demorando a chegar às empresas. “As empresas estão tendo dificuldades em obter as linhas de crédito emergenciais”, afirmou. 

Segundo o economista, a pandemia deve ter prioridade dentro do Orçamento federal. “Agora, a gente tem um orçamento de guerra para financiar”, argumentou. “Uma vez resolvido o problema da pandemia, se torna mais importante aprovar a reforma tributária, a reforma administrativa e a PEC Emergencial, porque elas vão permitir que estados e municípios adequem seus orçamentos à nova realidade econômica.”

Indústria em queda

A retração estimada de 4,6% para o PIB fluminense em 2020 é puxada, principalmente, pelas quedas da indústria (-5,3%) e do comércio e serviços (-4,3%). A indústria de transformação, que estava dando sinais de recuperação, deverá sofrer redução de 5,2% no ano, enquanto a indústria extrativa mineral de petróleo e gás, com forte atuação no estado do Rio de Janeiro, deverá cair 6,1% este ano, contra um crescimento de 8% registrado em 2019.

“Essa queda vai ter um efeito significativo na indústria de transformação, que tem um peso grande no PIB do estado”. Goulart lembrou que a cadeia automotiva, com diversas montadoras instaladas principalmente na região sul do estado, paralisou o processo produtivo nesse período, o que impacta fortemente sobre a indústria de transformação. “Isso é impacto direto do coronavírus na economia do estado.”

Para a indústria da construção civil, a Firjan estima perda de 5,1% em 2020. O setor passou por três anos seguidos de queda e tinha expectativa de crescimento este ano, “mas vai tomar um novo tombo por conta dessa pandemia”, de acordo com o economista. Para a agropecuária, que tem participação inferior a 1% no PIB fluminense, a expectativa é que caia em torno de 1%.

Servidores sem salário

Segundo o economista, a principal mensagem do estudo é que a crise é muito severa e terá um impacto muito forte nas contas públicas estaduais, que têm peso importante na carga tributária brasileira. “Então, a gente tem um problema muito grave. Se o governo não entender que tem de ajudar os estados, os estados vão tentar aumentar seu ICMS, o que vai afetar ainda mais uma indústria que já está bastante combalida.”

Goulart acrescentou que nesse período de crise, se os estados perderam boa parte de sua renda e não conseguem reduzir os gastos, a primeira coisa que vão fazer é não pagar dívidas, o que implica em não pagar os salários dos servidores, que têm participação expressiva no orçamento dos estados.

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

Open chat
1
Olá!
Posso te ajudar?